Pode-se dizer que o fechamento do mês é positivo. O mundo parece ter assimilado bem a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, feita na última sexta-feira durante o simpósio anual da instituição, entendendo que o banco continuará cauteloso no que diz respeito à redução dos estímulos monetários e aumento da taxa de juros. Outro ponto favorável foi o avanço da vacinação, que diminuiu as restrições de mobilidade em vários países.
O mercado asiático fechou a segunda-feira majoritariamente em alta, mas os indicadores vindos da China preocupam. O PMI de serviços chinês ficou em 47,5 em agosto, bem abaixo dos 53,3 de julho. O PMI Composto caiu para 48,9 pontos, contra 52,4 do mês anterior.
Lembrando que qualquer patamar acima de 50 pontos significa expansão e, abaixo, contração. Esse dado acende o sinal de alerta para as commodities, que trabalham no terreno negativo.
Mesmo assim, o índice Nikkei, em Tóquio, Hang Seng, em Hong Kong, e SSEC, em Shaghai, avançaram.
Na Europa, o índice Stoxx 600 começou a operar em alta, mas no decorrer da sessão o ritmo foi indo em direção à estabilidade. No mês, o índice acumula alta de 2,37%, mesmo agosto tendo um ritmo de negociações mais lento por conta das férias de verão.
Um indicador não tão favorável para a zona do euro foi o da inflação, que subiu acima das expectativas. Em agosto, fechou em alta de 3%, enquanto a projeção era de 2,7%.
Ontem, os índices S&P 500 e Nasdaq encerraram o pregão com novas máximas históricas. Em cinco sessões do S&P 500 foi o quarto fechamento em máximas recordes.
Brasil
Reforçando o conceito de que o Brasil anda descolado do mundo, o Ibovespa fechou a segunda-feira em queda.
O assunto do dia foi um possível manifesto a favor da estabilidade institucional e pacificação política que teria sido assinado por mais de 200 entidades empresariais, entre elas, a Febraban. A divulgação da carta foi adiada após o Banco do Brasil e a Caixa ameaçarem deixar a entidade que representa as instituições financeiras.
A suspensão da divulgação dividiu os empresários signatários, que alegaram não terem sido consultados por Paulo Skaf, presidente da FIESP, da decisão de esperar alguns dias para publicar o comunicado.
Sem a mesma hesitação, entidades do agronegócio, uma das bases de sustentação do governo Bolsonaro, divulgaram ontem o seu próprio manifesto. No documento, elas afirmam que as cadeias produtivas e setores econômicos precisam de estabilidade, segurança jurídica e harmonia para trabalhar.
Todo esse clima de incertezas, principalmente pela expectativa de como será o tom das manifestações do próximo dia 7 de setembro, interfere no desempenho do mercado, que opera tenso à espera do “próximo susto”.
Agora pela manhã foi anunciada, pelo IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, Pnad Contínua. A taxa de desocupação recuou para 14,1% no segundo trimestre deste ano. Redução de 0,6 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre. Hoje, o país conta com 14,4 milhões de pessoas desempregadas.
Também na manhã de hoje, os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, se reúnem para discutir uma solução para o pagamento dos precatórios, outro ponto delicado do nosso cenário econômico.
Aquisição
A SulAmérica apresentou proposta vinculante para a compra de até 100% do Grupo HB Saúde, que conta com uma carteira de 129 mil beneficiários de planos de saúde e 25 mil de planos odontológicos. Em 2020, registrou receita de aproximadamente R$ 300 milhões.
O valor da transação, que ainda precisa ser aprovada pelos acionistas da HB Saúde, é de R$ 483 milhões.
Rede D?Or
A Rede D?Or comunicou ontem à noite que não irá prosseguir com a oferta pública voluntária para adquirir 100% das ações da Alliar. Segundo a empresa, existe um acordo de acionistas do laboratório vinculando ações representativas de aproximadamente 50,46% do seu capital social, em que os signatários se obrigam, entre outras coisas, a não vender ações de emissão da Alliar por um período de 180 dias.
Depois que a Rede D?Or anunciou a oferta pública voluntária, em 16 agosto, o empresário Nelson Tanure comprou 30% da participação na companhia. O Fleury também anunciou que estuda uma potencial transação com o laboratório.
JK
A BR Properties vendeu 55% do imóvel bloco B do Complexo JK, em São Paulo, para a JFL. A parte negociada por R$ 555.935 milhões tem área bruta locável de 16.847 metros quadrados, o que corresponde a R$ 33 mil o metro quadrado.
Stones
A adquirente de cartões Stone registrou lucro líquido de R$ 526 milhões no segundo trimestre de 2021. O resultado é 325,6% superior ao mesmo período do ano passado e 232,3% maior que o do primeiro trimestre deste ano.
Smiles e Gol
A Smiles firmou contrato de compra antecipada de passagens da Gol Linhas Aéreas no valor de R$ 50 milhões. De acordo com o comunicado, divulgado ontem à noite, o valor foi pago à Gol na data da reunião do conselho de administração, realizada em 19 de agosto.
Vibra e Copersucar
Ainda sem nome, a nova joit venture formada pelas empresas Vibra Energia e Copersucar deve comercializar cerca de 9 bilhões de litros de etanol em seu primeiro ano de atividade, alcançando faturamento de aproximadamente R$ 30 bilhões. Isso a transformaria na maior comercializadora de biocombustível do Brasil. Cerca de 90% desse volume atenderia o mercado doméstico, mas a empresa não esconde sua pretensão de crescer gradualmente no mercado internacional.
Debêntures
A Comgás irá realizar sua 9ª emissão de debêntures, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em duas séries, no valor de R$ 1 bilhão.
O vencimento da primeira série será 15 de agosto de 2031 e da segunda em 15 de agosto de 2036.