Apesar da abertura com sinal positivo, a cautela deve prevalecer hoje na Bolsa de Valores brasileira. O noticiário é intenso tanto do lado corporativo, como no cenário político. No exterior, a agenda econômica contribui para ditar o ritmo dos negócios.
Por aqui, o investidor ainda avalia o noticiário do fim de semana, envolvendo pressão do presidente Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e governadores, enquanto aguarda leitura, amanhã, do requerimento de criação da comissão pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Há ainda a expectativa pela definição sobre a sanção do Orçamento.
Mais tarde, a partir das 15h, os acionistas da Petrobras vão se reunir em assembleia extraordinária (AGE) para definir a recomposição do comando da empresa. Na pauta, está a aprovação do nome do general do Exército, Joaquim Silva e Luna, para assumir um assento no conselho de administração e, em seguida, a presidência da estatal, no lugar de Roberto Castello Branco. Além dele, os acionistas devem eleger, ao menos, sete membros, com mandatos até 2023.
De acordo com reportagem do Broadcast, a expectativa é que a nova formação do comando possa absorver e digerir as novas diretrizes e, talvez, reduzir a volatilidade que os papéis têm passado recentemente. Em uma de suas últimas designações, o atual conselho de administração aprovou a assinatura de acordo com a União, que estabelece as participações em cada contrato e o valor de compensação no caso de licitação dos volumes excedentes da Cessão Onerosa nos campos de Sépia e Atapu.
As duas partes chegaram ao acordo após discussões técnicas. Para a área de Atapu, a participação da estatal na cessão onerosa fica em 39,5% e em Sépia de 31,3%. Já a participação do novo contratante na partilha de produção das duas áreas ficou em 60,5% e 68,7%, respectivamente, e as compensações líquidas firmes somaram US$ 3,253 bilhões (Atapu) e US$ 3,2 bilhões (Sépia).
Outra blue chip no radar do mercado é a Vale. A companhia informou que a Samarco Mineração, sua joint venture em conjunto com a BHP Billiton Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em uma das Varas Empresariais da Comarca de Belo Horizonte (MG).
Segundo a empresa, o ajuizamento da recuperação foi necessário para evitar que ações já iniciadas como ações de execução de notas promissórias no Brasil, no valor de US$ 325 milhões, e ações movidas pelos detentores dos títulos de dívida com vencimento em 2022, 2023 e 2024 (bonds) em Nova York, afetem a capacidade da Samarco de produzir, embarcar, receber por suas exportações e financiar o curso normal de suas atividades, entre outros.
Saúde
A operadora de saúde Hapvida fará uma oferta subsequente de ações (follow on) primária e secundária que pode girar até R$ 2,676 bilhões se colocados todos os lotes, considerando-se o preço de fechamento na última sexta (9), de R$ 14,87. De acordo com a empresa, os recursos que forem para o seu caixa serão aplicados em investimentos em sua estrutura atual, nas empresas que acaba de comprar ou em possíveis novas aquisições.
Já a Rede D’or São Luiz celebrou um memorando de entendimentos vinculante, tendo por objeto a aquisição, por sua afiliada Hospital Esperança, de participação representativa de 51% do capital social do Hospital Nossa Senhora das Neves (HNSN) – que tem como subsidiárias o Clim Hospital Geral, Luppa Laboratórios, Unigastro e Neves Medicina Diagnóstico, bem como é detentor dos imóveis utilizados no Hospital Nossa Senhora da Neves, através da HNSN Empreendimentos Imobiliários.
O Grupo Fleury, por sua vez, firmou a aquisição, por intermédio da subsidiária Fleury CPMA, de 66,7% da Vita Ortopedia Serviços Médicos Especializados Ltda. e da Vita Clínicas Medicina Especializada Ltda, por R$ 136,8 milhões. A Vita é referência em consultas e cirurgias ortopédicas assim como em sessões de reabilitação. Formada por uma equipe de mais de 40 médicos e 80 terapeutas, a companhia possui 9 unidades de ortopedia e fisioterapia na cidade de São Paulo.
Agenda Econômica
Os economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para a taxa básica de juros (Selic) no fim de 2021. De acordo com o Boletim Focus, a mediana das previsões para a taxa básica de juros neste ano passou de 5,00% para 5,25% ao ano. Há um mês, estava em 4,50%. No caso de 2022, a projeção permaneceu em 6,00% ao ano, ante 5,50% de um mês antes.
Lá fora, a agenda desta semana traz como destaque o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, a ser publicado amanhã, e a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira. Hoje, o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, participa de evento da Câmara de Comércio de Newton-Needham, às 14 horas.