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Termômetro do Mercado: Dia de repercussão sobre os próximos passos do Copom

Com os mercados internacionais operando em ligeira alta, influenciados pelos resultados corporativos e aguardando a sexta-feira, que é dia de Payroll, as atenções ficam concentradas para o cenário interno, principalmente em como o mercado vai interpretar o posicionamento de ontem do Copom.

O resultado já era esperado e se confirmou. O Comitê de Política Monetária anunciou, nesta terça-feira, 4, o aumento da Selic em um ponto percentual, que passou a ser de 5,25% ao ano. Essa é a quarta alta seguida que o Copom promove, atingindo agora o maior nível desde outubro de 2019.

O “algo a mais” ficou para o comunicado da decisão, quando o Copom ressaltou que a elevação da Selic em um ponto percentual “é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023”.

É bem razoável considerar que aconteça mais um aumento de um ponto percentual na próxima reunião do Copom e que, ao fim deste ano, a taxa básica de juros esteja entre 7% e 7,5%, e que a inflação possa bater os 7,5%.

Fica para o dia de hoje, se atentar em como o mercado vai interpretar as mensagens do comunicado do Copom, que ajustou seu tom no que diz respeito ao tamanho do ciclo inflacionário, principalmente do setor de serviços.

Balanço

Após o pregão de ontem, que fechou em queda de 1,44%, várias empresas publicaram os seus resultados do segundo trimestre de 2021.

Por dois motivos, uma das “estrelas” foi a Petrobras. Primeiro, por apresentar o seu resultado que registrou reversão de um prejuízo de R$ 2,71 bilhões, apurado no segundo trimestre de 2020, para um lucro líquido de R$ 42,85 bilhões.

A receita de vendas da estatal somou R$ 110,71 bilhões no trimestre, alta de 117,5% ante aos R$ 50,9 bilhões do mesmo intervalo de 2020. O Ebitda teve aumento de 147,9% no trimestre, fechando em R$ 61,94 bilhões.

O segundo motivo que atraiu a atenção para a Petrobras foi o anúncio de que ela irá antecipar o pagamento de dividendos, no valor de R$ 31,6 bilhões, referentes ao exercício de 2021. Somente a União, que é o seu maior acionista, receberá R$ 11,6 bilhões desse total.

A primeira parcela, que soma R$ 21 bilhões, com valor bruto por ação ON ou PN de R$ 1,6099, será paga para os acionistas posicionados na B3 em 16 de agosto. Para os titulares de ADRs na Bolsa de Nova Iorque, a data de corte será 18 de agosto. O pagamento será em 25 de agosto e 1º de setembro, respectivamente.

A segunda parcela, de R$ 10,6 bilhões, será equivalente a R$ 0,8126 por ação. Acionistas posicionados na B3 receberão em 15 de dezembro, enquanto os titulares de ADRs, dia 22 de dezembro. As datas de corte serão 1º de dezembro, para a B3, e 3 de dezembro, para as ADRs.

Banco do Brasil

Outra estatal que apresentou o seu balanço ontem foi o Banco do Brasil, apontando lucro líquido ajustado de R$ 5.039 bilhões no segundo trimestre, resultado 52,5% superior aos R$ 3.311 bilhões reportados em igual período de 2020, e 2,6% acima do conquistado no primeiro trimestre deste ano.

Segundo Fausto Ribeiro, presidente do banco, o lucro ajustado do primeiro semestre de 2021 foi de R$ 10 bilhões.

BV

Controlado pelo BB e pela família Ermírio de Moraes, o BV, antigo Banco Votorantim, viu saltar o seu lucro líquido 76,4%, alcançando o montante de R$ 388 milhões.

No segmento de financiamento de veículos, no qual o BV é líder de mercado, o banco cresceu 76% no segundo trimestre, enquanto a carteira de crédito foi de R$ 73,2 bilhões, valor 6,4% maior em 12 meses.

Em paralelo, o BV obteve, recentemente, aval do Banco Central para aportar R$ 100 milhões na fintech Trademaster, com o objetivo de aumentar sua participação no segmento de recebíveis de pequenas e médias empresas.

Braskem

A Braskem também reverteu o prejuízo de R$ 2.476 bilhões registrado no segundo trimestre de 2020, comunicando lucro líquido de R$ 7.424 bilhões no mesmo período deste ano. Quando comparado com o primeiro trimestre de 2021 o lucro cresceu 198%.

O resultado operacional foi de R$ 9.400 bilhões ante aos R$ 6.963 bilhões do primeiro trimestre deste ano.

AES Brasil

Com custos de produção e operação de R$ 378,4 milhões no segundo trimestre, a AES Brasil anunciou lucro líquido no período de R$ 27,5 milhões, resultado 77% maior na comparação anual, capaz de gerar margem líquida de 4,9%.

O Ebitda da companhia no período foi de R$ 257 milhões, baixa de 6,6% inferior ao alcançado no mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida subiu 18,1%, chegando a R$ 561,4 milhões.

Mercado Livre

O Mercado Livre é outro destaque da temporada de balanços reportando US$ 68,2 milhões de lucro líquido no segundo trimestre, correspondente a um lucro líquido de US$ 1,37 por ação. A receita líquida foi de US$ 1,7 bilhão, aumento de 93,9% na comparação com o segundo trimestre de 2020.

No Brasil, a receita cresceu 101% e o volume de vendas aumentou 40%, com mais de 125 milhões de itens vendidos. A companhia destaca a recente parceria fechada com o Grupo Pão de Açúcar e a entrega no mesmo dia como relevantes para atingir esses números.

Totvs

A Totvs também viu o seu lucro líquido crescer. Totalizou R$ 78,643 milhões, 35,6% superior a igual período de 2020. O Ebitda foi de R$ 187,476 milhões, com uma receita líquida de R$ 763.375 milhões.

A empresa registrou dívida líquida de R$ 1,059 bilhão, alta de 183,1% comparado com o mesmo período do ano passado, com Saldo de Caixa e Equivalentes de R$ 785,969 milhões.

Azul

Em comunicado, a Azul informou nesta quarta-feira, 4, que recebeu o certificado da Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, para operar pousos e decolagens nos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com a nova geração de jatos 195-E2 da Embraer.

Os dois aeroportos, que são os maiores terminais urbanos do país, são conhecidos por terem pistas mais curtas, o que exige certificações técnicas específicas.

O 195-E2 tem 136 assentos e motores que reduzem em até 25% o custo por passageiro.

Rede D?Or

Mais uma aquisição foi concluída pela Rede D?Or. Desta vez foi a compra de 51% do Proncor, de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, anunciada em 8 de julho. A previsão de Ebitda da unidade para 2022 é de R$ 32.5 milhões.