O agravamento da pandemia de COVID-19 e a ampliação de medidas de restrição de mobilidade dividem atenção dos investidores locais com os debates sobre a votação prevista da PEC Emergencial pelo Senado e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Lá fora, as bolsas americanas devem repercutir o relatório ADP de empregos no setor privado, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e o livro bege.
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que no ano passado a economia encolheu 4,1% ante 2019. A queda foi um pouco menor do que a mediana das estimativas do mercado financeiro na pesquisa Projeções Broadcast, calculada em -4,2%, e veio dentro do intervalo das previsões, de baixa de 4,55% a 3,50%.
No quarto trimestre de 2020, o PIB brasileiro cresceu 3,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior, resultado que ficou acima da mediana das estimativas, de 2,8%, e no intervalo de 2,30% a 3,40%.
No campo corporativo o destaque fica por conta da Via Varejo. A companhia registrou lucro líquido de R$ 336 milhões no quarto trimestre de 2020. O resultado reverte prejuízo de R$ 875 milhões do mesmo período de 2019. “A virada do lucro líquido consolida entrega do turnaround”, ressalta a empresa no relatório de resultados. O indicador alcançou R$ 1 bilhão em 2020, ante prejuízo de R$ 1,4 bilhões em 2019.
O Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do trimestre, por sua vez, ficou em R$ 316 milhões, ante um Ebitda negativo de R$ 806 milhões registrado um ano antes. O Ebitda ajustado foi de R$ 545 milhões, com margem Ebitda ajustada de 5,8%, alta de 6,2 pontos porcentuais. No mesmo período do ano passado, o indicador ajustado havia sido negativo em R$ 35 milhões.
A receita líquida do grupo teve alta de 24%, chegando a R$ 9,4 bilhões no último trimestre do ano.
Na visão do nosso time, os resultados do 4T20 da Via Varejo representam um bom fechamento de ano, que comprovou a assertividade das iniciativas tomadas pela empresa em seu processo de turnaround.
Commodities
As ações da Petrobras seguem pressionadas por questões de governança. Hoje, os papéis podem reagir à saída de cinco conselheiros que informaram que não pretendem ser reconduzidos ao colegiado na próxima Assembleia Geral Extraordinária (AGE). São eles João Cox Neto, Nivio Ziviani, Paulo Cesar de Souza e Silva e Omar Carneiro da Cunha Sobrinho. No final da noite de ontem, Leonardo Antonelli, eleito por indicação de acionistas minoritários, também informou que não pretende aceitar a recondução.
Cox Neto e Ziviani alegaram razões pessoais para a decisão. Já Souza e Silva só declarou que por conta de seu mandato ser “interrompido inesperadamente, peço, por favor, para não ser reconduzido ao Conselho de Administração na próxima Assembleia”. Já a mensagem de Omar Carneiro da Cunha revela insatisfação com a decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro, de promover uma troca no comando da estatal, com a indicação de Joaquim Silva e Luna para o lugar de Roberto Castello Branco.
“Em virtude dos recentes acontecimentos relacionados às alterações na alta administração da Petrobras, e os posicionamentos externados pelo representante maior do acionista controlador da mesma, não me sinto na posição de aceitar a recondução de meu nome como Conselheiro desta renomada empresa, na qual tive o privilégio de servir nos últimos sete meses”, diz Cunha.
Diante disso, a União terá que indicar cinco novos nomes, que serão submetidos ao processo de análise de gestão e integridade da companhia e objeto de análise pelo Comitê de Pessoas. O imbróglio pode pressionar ainda mais as ações da petrolífera, em meio a um novo leque de incertezas.
A Vale, por sua vez, informou a intenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da BNDES Participações (BNDESPar) de realização de uma oferta pública de distribuição secundária de debêntures participativas. Em 31 de dezembro de 2020, havia em circulação 388.559.056 debêntures participativas emitidas pela Vale e os Ofertantes eram titulares de aproximadamente 55% do total destas Debêntures.
Estima-se que a oferta vá movimentar algo em torno de R$ 13 bilhões, informou um analista. O negócio faz parte da estratégia do BNDES de arrecadar com a venda de suas participações na mineradora.
De volta ao calendário de balanços, atenção para Ferbasa, que registrou um lucro líquido de R$ 37,5 milhões no quarto trimestre, ante prejuízo de R$ 1 milhão do mesmo período de 2019. A receita líquida da companhia subiu 61,8% no trimestre, somando R$ 463,9 milhões.
Em linhas gerais, a Ferbasa apresentou um resultado operacional levemente abaixo do que esperávamos e continuou, em menor intensidade, com a tendência vista no segundo trimestre de uma participação maior no mercado externo em relação ao interno.
No setor de educação, Cogna informou que a Somos Sistemas de Ensino, controlada da Vasta Educação, adquiriu a Sociedade Educacional da Lagoa (SEL) por R$ 65 milhões. A companhia presta serviços técnicos e pedagógicos para plataformas educacionais, atendendo, direta ou indiretamente, 441 escolas, 272 mil alunos de ensino fundamental e 503 mil alunos do ensino médio e do segmento de educação continuada. A Vasta estima que a transação representa um múltiplo 7,6 vezes o valor sobre o Ebitda de 2021.