Com a conclusão da venda da Oi Móvel a Tim realizou ontem de manhã uma teleconferência para apresentar os detalhes da operação. Dentre os principais ativos recebidos pela companhia, estão 40% da base de clientes móveis da Oi (cerca de 16,4 milhões de acessos) e 54% do espectro (49 MHz). Com isso, a Tim fecha um gap importante de capacidade e cobertura em relação à Telefônica e Claro, tornando-se mais competitiva em nível nacional. A companhia estima um ratio espectro por cliente de 4,1 vs. 3,3 e 3,6 de suas principais concorrentes. A operação foi no total de R$ 7 bilhões, dos quais R$ 634 milhões foram retidos pela Tim para cobrir eventuais necessidades de ajustes de preço que possam ser identificados nos próximos 120 dias, R$ 2,1 bilhões a serem pagos diretamente para o BNDES e R$ 4,3 bilhões a serem pagos para a Oi. Adicionalmente, a Tim pagou R$ 60 milhões para a Oi devido ao alcance de metas estabelecidas no contrato, sendo que o valor poderá chegar até a R$ 230 milhões, e R$ 250,7 milhões em serviços da V.Tal, previsto no acordo. Considerando todos os valores referentes à transação, a Tim desembolsará R$ 7,3 bilhões em 2022. A companhia encerrou 2021 com caixa líquido e R$ 9,8 milhões em caixa. Apesar dos desembolsos expressivos esperados para 2022 com a conclusão da compra dos ativos da Oi Móvel e do pagamento do leilão do 5G e do Fistel, a companhia deverá manter um perfil de endividamento saudável. A alavancagem financeira da Tim no ano deverá chegar a valores próximos a 2,0x dívida líquida/Ebitda ou 0,6x, considerando valores ex-leasing. Segundo a companhia, a integração das operações recém-adquiridas deverá ocorrer ao longo dos próximos 12 meses nos quais os clientes serão migrados para planos Tim com condições semelhantes às que possuíam na Oi, serão unificadas as operações de back-office e ocorrerá a otimização dos sites. Com isso, a companhia estima um total entre R$ 16 bilhões e R$ 19 bilhões a valor presente em sinergias, dos quais 45% serão captados até 2030. Os valores provêm da estimativa de (i) R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões como benefício imediato do aumento de escala com melhora da dinâmica competitiva, da redução de churn e de novas oportunidades de receita; (ii) R$ 12 a R$ 13 milhões em economia de Capex e Opex com a capacidade adicionada de espectro e sobreposição de sites e (iii) R$ 1 bilhão em efeitos tributários sobre ágio, descomissionamento acelerado de sites e participações adicionais no capital de parceiros na estratégia de plataforma de clientes. Desses, vale destacar a expectativa da companhia de melhora entre 2 p.p. e 3 p.p. da relação Capex orgânico sobre as receitas após a integração, acelerando a redução de valores dos atuais cerca de 20% para próximo de 16% em 2030 e a aceleração do plano de desativação de sites, que espera uma redução dos atuais 7,2 mil para 2,8 mil (-60%) em 2024 ante 2030 como meta anterior, gerando um total de R$ 4,1 bilhões em economia em contratos de leasing. Para 2022, considerando os oito meses de participação das operações adquiridas no resultado consolidado da Tim, a expectativa é de uma adição de R$ 1,8 bilhão em receita líquida e R$ 1,1 bilhão em Ebitda, valores que corroboram para o guidance de 2022 de crescimento de duplo dígito nas duas linhas.